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Tragédia no Corinthians: 50 anos das mortes de Lidu e Eduardo

 
       
  Segundo Gabriel Santos (Lance),

o Corinthians tentou inscrever dois jogadores, mas Palmeiras vetou e a proibição fez torcida e dirigentes chamarem o rival de porco

 
  Por:

Voz da Fiel

26/04/2019 09:11:33  
       
 
 
 
       
   Tragédia no Corinthians: 50 anos das mortes de Lidu e Eduardo   
  Foto: Reprodução/Internet/Lance  
       
  O dia 28 de abril de 1969 ficou marcado na história do futebol por um momento trágico. Neste dia, o lateral-esquerdo Eduardo, de 25 anos, e o ponta Lidu, de 22, que eram jogadores titulares do Corinthians, morreram em acidente de carro na Marginal Tietê, enquanto voltavam de um restaurante, após a partida contra o São Bento pelo Campeonato Paulista, que terminou empatada por 1x1. A data completa exatos 50 anos neste domingo.

A delegação alvinegra saiu de Sorocaba a noite e seguiu para São Paulo diretamente para o Parque São Jorge. Ao chegar na sede do clube, parte do grupo decidiu jantar no restaurante Recreio Chácara Souza, no bairro de Santana. No retorno ao Parque São Jorge, aconteceu o acidente, próximo da ponte da Vila Maria, (hoje ponte Jânio Quadros).

Lidu, que era recém habilitado, dirigia seu fusca pela Marginal, na época em construção e com pouca iluminação. Em determinado momento, o ponta capotou o carro ao passar por guias jogadas no asfalto, perto da ponte da Vila Maria. Com o impacto, os jogadores foram arremessados para fora do veículo, sofreram traumatismo craniano e morreram na hora. Antes do socorro chegar, os corpos ainda foram saqueados, e objetos como relógios e carteiras foram levados. Não haviam outras pessoas dentro do carro acidentado.
 
      
  Tragédia no Corinthians: 50 anos das mortes de Lidu e Eduardo  
  O acidente foi capa de diversos jornais do Brasil no dia seguinte. A população ficou sem acreditar na tragédia que tirou dois titulares importantíssimos do Corinthians. O velório, que aconteceu no Parque São Jorge, contou com a presença de milhares de pessoas, entre torcedores e personalidades do esporte.

Após o velório aberto, o corpo de Lidu seguiu para Presidente Prudente (SP), enquanto o corpo de Eduardo foi levado para o cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Ao todo, Lidu jogou 36 partidas pelo Timão (com 24 vitórias, seis empates e seis derrotas). Já Eduardo fez 71 jogos (com 44 vitórias, 12 empates e 17 derrotas) e 15 gols com a camisa do clube. O Corinthians sentiu muito a falta da dupla nas partidas seguintes.
 
 
 
 
  - Em 1969 o Corinthians entrava em seu 15° ano sem ser campeão. E fazia uma ótima campanha: pela primeira vez em todo o tempo do jejum, havia vencido todos os quatro clássicos do primeiro turno, contra Palmeiras, Santos, São Paulo e Portuguesa, e liderava o campeonato com folga. Aliás, se fossem pontos corridos, o Corinthians teria sido campeão. Mas justo naquele ano o regulamento mudou, e no quadrangular final, sem os dois jogadores que morreram, o time naufragou e ficou em último - disse Celso Unzelte, jornalista da ESPN e autor do Almanaque do Timão.

Para ter uma ideia da caída de produção do time após o acidente, no quadrangular da fase final, o Corinthians perdeu todos os jogos que disputou, acabando em último lugar do grupo. O Santos acabou sendo campeão paulista de 1969.
 
  Tragédia no Corinthians: 50 anos das mortes de Lidu e Eduardo  
  A origem do apelido de Porco ao rival

Uma história no mínimo curiosa cerca o acidente na Marginal Tietê. Como o Paulistão daquele ano tinha data limite para a inscrição de jogadores, e o prazo para o registro já havia se encerrado, o presidente do Corinthians, Wadih Helu, pediu a Federação Paulista de Futebol (FPF) a inscrição de dois atletas para substituírem Eduardo e Lidu. Todos os clubes deveriam aceitar o pedido do Timão, pois a decisão teria de ser unânime. Porém, o Palmeiras, representado pelo presidente Delffino Facchina, foi o único clube contra o pedido do rival, impossibilitando a inscrição.

Irritado, Wadih teria chamado os dirigentes do Palmeiras de "porco", afirmando que os cartolas do Alviverde tiveram espírito sujo. Segundo Celso Unzelte, no entanto, o apelido já existia antes deste episódio.

- A história do porco não é só essa. Os italianos (e, portanto, palmeirenses, por extensão) eram chamados pejorativamente de porcos desde os tempos da Segunda Guerra Mundial. Naquele primeiro momento, principalmente por são-paulinos, que participaram ativamente da campanha para o Palestra mudar de nome. Em 69, os corinthianos apenas ressuscitaram o apelido, que já existia - disse o jornalista.
 
 
 
 
  Entre os torcedores do Corinthians o apelido pegou. Os corinthianos passaram a provocar os palmeirenses. Na partida seguinte entre os dois times, os alvinegros soltaram um porco no gramado do Morumbi antes do início do jogo. Enquanto o suíno corria, assustado, os corinthianos entoavam o coro de "porco! porco!".

O apelido ficou marcado de forma odiosa no Palmeiras por 17 anos, quando o Alviverde ganhou do Corinthians na semi do Paulistão de 1986 por 5x1. Nas arquibancadas, a proximidade do fim da fila alviverde, que já durava dez anos, fez o apelido de porco ser aceito entre a torcida alviverde.

- Em 86, com a atitude da Mancha Verde, e com jogadores como Edu Manga e Jorginho entrando com o porco, a torcida viu que esse apelido dava originalidade. Ao assumir o grito de "porco", os rivais pararam com a brincadeira. Foi no contexto da Copa do México, o bom time do Palmeiras, e a torcida da Mancha que ainda era nova, com três anos de atividades. Todos esses fatores contribuíram para a adoção do apelido de porco pela torcida palmeirense - diz o jornalista Mauro Beting.
 
  Tragédia no Corinthians: 50 anos das mortes de Lidu e Eduardo  
  Mesmo com a derrota para a Inter de Limeira na final, a torcida palmeirense manteve o carinho pelo porco, que hoje virou um mascote do clube, juntamente com o periquito.

Jorginho Puttinati, um dos grandes jogadores do Palmeiras na época, contou como os jogadores do Verdão lidavam com as brincadeiras.

- Era mais para a torcida. Era chato quando nós entrávamos no campo e a torcida soltava um leitãozinho no gramado. Nós brincávamos que devíamos pegar um gambá para soltar, mas era difícil pegar esse bicho - diz o ex-meia do Verdão.

Ídolo veio por consequência do acidente

Com a morte de Lidu, o Corinthians foi obrigado a buscar um lateral para a temporada de 1970, para substituir o jogador. O contratado foi Zé Maria, da Portuguesa, que acabou fazendo parte do Brasil campeão mundial no México.

Zé Maria jogou no Corinthians durante 13 anos e fez parte da Democracia Corinthiana, sendo inclusive eleito pelos companheiros de clube em 1983, para assumir o comando da equipe, tornando-se o técnico.