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Hanna, cão-guia que vai com o dono aos jogos do Corinthians na Arena

 
       
 

Corinthiano roxo, Klauber deixou de ir ao estádio ao perder 80% da visão e só retornou com ajuda da cadela

 
  Por:

Voz da Fiel

22/03/2019 14:23:53  
       
 
 
 
       
   Hanna, cão-guia que vai com o dono aos jogos do Corinthians na Arena   
  Foto: Reprodução/Internet/Globo Esporte  
       
  Domingo, dia de clássico entre Corinthians e Santos pelo Campeonato Paulista em Itaquera. Hanna, que está quilômetros distante do estádio, já sente a agitação da torcida horas antes do jogo. Ela já está acostumada, sabe que é dia de sair de casa para o passeio preferido: torcer pelo Corinthians. Uniformizada, sai pelas ruas de Itaquera ao lado de Klauber, seu companheiro de Arena.

Com toda pompa e orgulho, conduz o dono até o ponto de ônibus. Após cerca de 10 minutos de viagem, ela sabe que está na hora de descer. Os dois desembarcam, e continuam a pé rumo ao Portão O da Arena. Conforme o estádio se aproxima, Hanna se anima, se agita. Pessoas param a cada minuto pra tirar uma foto ao lado da "Labradora da Fiel", como é conhecida pelos torcedores.

Já dentro do estádio, o humor de Hanna passa a depender do ritmo do jogo. Se é bom, a cachorra acompanha a agitação. Mas, no caso desse Corinthians e Santos da primeira fase do Paulistão, em vários momentos ela deitou, e permaneceu sonolenta. Klauber e Hanna ficam sempre no mesmo local: o setor norte, nos últimos degraus da arquibancada. Isso porque o Klauber tem que acompanhar a partida de costas para o campo, observando o telão que fica acima da torcida.
 
      
 

 
  Só desse jeito consegue entender o que está acontecendo em campo. Ele quase não enxerga, perdeu 80% da visão após uma cirurgia para a retirada de um tumor no cérebro. Olhando para o telão gigante, que exibe a partida ao vivo, consegue distinguir os movimentos dos jogadores. E em harmonia com a Hanna, os dois podem, acima de tudo, sentir a vibração e energia do restante da torcida.

Corinthiano roxo, Klauber era figurinha carimbada nos jogos do timão antes de perder a visão. Até que a descoberta do tumor, aos 30 anos, mudou toda a sua rotina. Ele passou por uma operação arriscada na cabeça, os médicos alertaram para possíveis sequelas.

O tumor foi retirado com sucesso, mas acabou afetando o nervo óptico, o que fez com que ele perdesse quase toda a visão após o procedimento. Apesar de curado do tumor, Klauber, praticamente cego, se afundou em uma depressão. Passou a ter medo de sair de casa e perdeu, inclusive, a vontade de torcer pelo Timão no estádio.
 
 

 
  – Eu tinha medo de ir pro jogo, pra rua, tinha medo do mundo. Imagina você fechar o olho e não conseguir se locomover. Por isso eu desanimei da vida – conta ele.

A recuperação foi longa. Durante um ano inteiro, Klauber praticamente não saiu de casa. Os jogos do Timão, no máximo, eram ouvidos no rádio ou na televisão. Partiu de um amigo a iniciativa de encontrar uma solução para que a rotina dele voltasse ao normal, e assim, encontraram uma ONG que colocou Hanna no caminho de Klauber.

– A Hanna me trouxe alegria, mudou tudo isso, trouxe vontade de viver– relata ao conhecer a cão-guia há cerca de 1 ano.
 
 

 
  E logo de cara, os dois se deram bem. A adaptação foi rápida, se tornaram inseparáveis melhores amigos instantaneamente, e graças a ela, Klauber, hoje com 34 anos, pôde retomar sua rotina. Para a tranquilidade de Dona Maria, mãe dele, o cachorro passou a dar segurança a qualquer atividade do filho: ela ajuda ele a caminhar, atravessar ruas, ela o acompanha no mercado, na academia, segue o dono em qualquer passeio. Ela ganhou até mesmo uma cama ao lado da dele, para dormirem juntos.

– A Hanna são meus olhos, qualquer movimento que eu estou fazendo ela segue. Ela não fala, mas expressa reação – conta Klauber.

E foi assim, ao lado de Hanna, que ele ganhou confiança para voltar também estádio torcer pelo Corinthians. Na primeira partida que acompanhou, Hanna estranhou apenas a movimentação de pessoas, que era muito grande. Mas no segundo tempo ela já se sentiu em casa e passou a imitar as reações do dono, vibrando junto com ele.
 
 

 
  – Se eu to quieto ela tá quieta, se eu to torcendo ela tá torcendo, se eu to incentivando o time, ela vai incentivar o time também – conta o dono.

É o programa preferido dos dois. Hanna se diverte e virou torcedora de carteirinha, conhecida da torcida e famosa nas redes sociais. Além disso, é dona de uma coleção de camisas do clube, de dar inveja a qualquer torcedor - e só sai de casa uniformizada, em grande estilo. Se ele perdeu a visão, ganhou um novo jeito de ver o mundo, e de torcer pelo Corinthians - pelos olhos de Hanna. E Hanna, em contribuição, se tornou também mais uma torcedora. Essa, a mais fiel.

– Agora não perdemos mais nenhum jogo, na chuva, no sol, na alegria, tristeza, sempre é Corinthians – diz Klauber.
 
      
   
 

 
 
Avaliação desta notícia vai para: Léo Bianchi (Globo Esporte)