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Corinthians ainda deve mais de 1 bilhão referente a construção da Arena

 
       
 

o clube já pagou R$ 306 milhões de um estádio que custou inicialmente R$ 985 milhões, mas juros e encargos fazem a dívida com a Odebrecht e BNDES só aumentar

 
  Por:

Voz da Fiel

10/05/2019 14:24:27  
       
 
 
 
       
   Corinthians ainda deve mais de 1 bilhão referente a construção da Arena   
  Foto: Estadão  
       
  A Arena Corinthians, em Itaquera, está em dia com o pagamento de suas contas. O problema é que os juros em cima das parcelas fazem a dívida só aumentar. Nesta sexta-feira, data em que marca os cinco anos da inauguração do estádio corinthiano, o clube deve, aproximadamente, R$ 1,1 bilhão de um estádio que custaria inicialmente R$ 985 milhões.

A Odebrecht precisa receber ainda R$ 650 milhões e o BNDES, R$ 460 milhões. O presidente Andrés Sanchez sabe que há juros e encargos em cima do valor inicial da construção, mas tenta renegociar esses valores. Nas reuniões que tem acontecido entre as partes, o Corinthians argumenta que muitas obras, ou entregas, prometidas para o estádio não foram feitas ou cumpridas. A Odebrecht justifica que essas obras não foram concretizadas porque outras que não estavam programadas foram pedidas pela gestão do estádio.
 
      
 

 
  Um exemplo de construção fora do projeto inicial da arena é o espaço da imprensa no setor Oeste. Inicialmente, os jornalistas ficariam no quarto andar do estádio. No entanto, para não tirar espaço dos torcedores, as cabines de mídia foram relocadas para o 10.º andar. Teve custo. E prova de que não estava nos planos originais é que para chegar ao local, os jornalistas ainda precisam passar por um corredor com fiação aparente e ainda sem piso. Trata-se de uma obra inacabada.

Acordo

A relação entre Corinthians e Odebrecht não é ruim. Nem nunca foi. A construtora cogita tirar encargos e juros desse total da dívida, por exemplo. Dos R$ 650 milhões, o Corinthians só pretende pagar cerca de R$ 122 milhões, que é quanto o clube ainda tem a receber dos CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). Os CIDs são títulos emitidos pela prefeitura de São Paulo e abatidos do imposto de renda de empresas. A prefeitura já emitiu R$ 166,4 milhões, incluindo os R$ 45 milhões previstos para 2019. O saldo a ser utilizado, já considerando a atualização pelo IPCA, é de R$ 382,95 milhões. Desse total, no entanto, a Odebrecht já se comprometeu a comprar R$ 260 milhões. Ou seja, restam os R$ 122 milhões.

Com o BNDES, cujo financiamento é feito via Caixa Econômica Federal, o Corinthians conseguiu um acordo para quitar a dívida até 2028, pagando parcelas mensais de R$ 6 milhões, de março a outubro de cada temporada, e R$ 2,5 milhões entre novembro e fevereiro, período em que há um menor número de jogos no calendário do futebol brasileiro. O acordo foi costurado por Andrés Sanchez.
 
 

 
  Quanto o Corinthians já pagou?

O Corinthians já pagou até agora R$ 306 milhões, cerca de R$ 140 milhões ao financiamento do BNDES e R$ 166 milhões por meio dos CIDs. Esse dinheiro, o clube faz questão de destacar, é separado do que o Corinthians arrecada com venda de jogadores e patrocínios no futebol.

Cerca de 75% dos ganhos da bilheteria das partidas são destinados para pagar a dívida do estádio. O restante vem do que o clube arrecada com a venda de camarotes, do Tour no estádio, da academia e do aluguel das lanchonetes no local. O Corinthians não divulga números financeiros além da bilheteria. E a assessoria do clube informou na quarta-feira também que ninguém da diretoria falaria com a reportagem sobre o assunto. Nada foi alegado sobre o silêncio.

Para entender

A Odebrecht foi quem pagou toda a conta do estádio, que inicialmente estava orçado em R$ 820 milhões. Os custos passaram a R$ 985 milhões quando a arena foi definida como palco de abertura da Copa de 2014. Com a correção para os dias de hoje, a Arena Corinthians deve custar algo em torno de R$ 1,4 bilhão.

A construtora já recebeu os R$ 400 milhões adiantados pelo BNDES, e também os R$ 166 milhões dos CIDs emitidos até 2019. Como comprou R$ 260 milhões do certificado, que é descontado do seu imposto, pode-se dizer que a Odebrecht recebeu R$ 826 milhões até agora. Esse valor, corrigido pela inflação de 2015 para cá, daria R$ 975 milhões. Com isso, dos custos que teve com a obra, a empreiteira precisa receber só mais R$ 10 milhões para cobrir quanto investiu no estádio inicialmente.
 
 

 
  Retrospecto

Inaugurada há cinco anos, o Corinthians disputou 171 jogos oficiais na arena, com 109 vitórias, 44 empates e 18 derrotas com aproveitamento de 72,3%. São 280 gols marcados e 113 sofridos. O artilheiro do clube no estádio é o paraguaio Angel Romero, que está de saída. Ele marcou 27 gols e está na frente de Jadson, que fez 24 e é o segundo corinthiano com mais gols no estádio.

A primeira volta olímpica aconteceu no Brasileirão de 2015, vencido matematicamente pelo em duelo com o Vasco, em São Januário. Mas a comemoração foi realizada na arena logo depois em uma histórica goleada de 6 a 1 sobre o São Paulo.

Em 2017, o Corinthians foi campeão pela primeira vez jogando na Arena. Pelo Campeonato Paulista, o time bateu a Ponte Preta e ergueu e iniciou a trajetória rumo ao tri consecutivo, que comemorado recentemente no estádio com o gol de Vagner Love aos 44 minutos do segundo tempo na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo. Entre essas conquistas ainda teve o heptacampeonato Brasileiro, em 2017, comemorado após vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense.
 
 

 
  Público

A Arena Corinthians tem média de público de 32.564 torcedores por jogo. O recorde em jogo do time alvinegro aconteceu na decisão do Paulistão deste ano, quando 46.481 corinthianos assistiram os jogadores levantarem mais uma taça.

O recorde, total, no entanto foi registrado na semifinal da Copa do Mundo de 2014, entre Holanda e Argentina, quando 63.267 torcedores compareceram ao local. Esse número não pode ser batido, já que a arena contava com duas arquibancadas provisórias que aumentaram a sua capacidade de público para receber os seis jogos da Copa.
 
      
   
 

 
 
Avaliação desta notícia vai para: João Prata (Estadão)