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Como a paixão pelo Corinthians salvou vida de torcedor com elefantíase

 
       
 

Corinthiano supera doença para ver o time na Arena

 
  Por:

Voz da Fiel

06/04/2019 06:17:33  
       
 
 
 
       
   Como a paixão pelo Corinthians salvou vida de torcedor com elefantíase   
  Foto: Ricardo Matsukawa/UOL  
       
  Os passos curtos e constantes levam André Barreto, 42 anos, rumo à sua segunda casa. Como um fiel em procissão, ele anda calado. A caminhada não é extensa, mas dura muito mais tempo que o normal. Exige um esforço descomunal. O suor aparece na testa e logo escorre pelo rosto marcado pelo cansaço. André se apoia, respira e segue o rito. É mais um dia como torcedor do Corinthians. É mais uma prova da paixão pelo clube.

Para fazer um trajeto comum no entorno da Arena Corinthians, André, conhecido como Marreta, protagoniza mais um episódio de superação. É preciso muita força para dar um passo. O corinthiano vive há 14 anos com uma doença rara e crônica, que faz suas pernas incharem e a locomoção virar um desafio diário.

Para fazer um trajeto comum no entorno da Arena Corinthians, André, conhecido como Marreta, protagoniza mais um episódio de superação. É preciso muita força para dar um passo. O corinthiano vive há 14 anos com uma doença rara e crônica, que faz suas pernas incharem e a locomoção virar um desafio diário.
 
      
 

Como a paixão pelo Corinthians salvou vida de torcedor com elefantíase

 
  Nem isso o afastou do Corinthians. Pelo contrário. É a proximidade com o clube do coração que faz Marreta enfrentar o problema e seguir em frente, com otimismo e sorriso no rosto. Não à toa, ele já assistiu 161 dos 168 jogos disputados pelo time alvinegro na Arena Corinthians. Para isso, enfrenta viagens de ônibus e caminhadas até o estádio. Depois da epopeia, a visão do campo, o cantinho habitual no setor sul e a emoção do jogo se encarregam de compensar o esforço.

"Corinthians é importante para me manter forte. Assistir um jogo do Corinthians é como uma terapia. Juntou o amor pelo time a uma coisa que me ajuda muito", disse Marreta.

Marreta é corinthiano fanático desde 1990, ano em que o Corinthians se sagrou campeão brasileiro pela primeira vez. O torcedor debutou em um estádio de futebol na final contra o São Paulo e se apaixonou pelo clube. Mesmo depois da morte do pai, em 1992, ele manteve o hábito de ver a equipe alvinegra de perto. Essa relação, porém, sofreu um abalo em 2005, quando ele descobriu que estava doente.
 
 

 
  "Eu era segurança, trabalhava até 14 horas em pé. As pernas começaram a inchar, mas não doíam. Meu patrão me aconselhou a ir no médico e até pagou a consulta. Falaram que era um problema sério", contou Marreta, que foi diagnosticado com filariose linfática, a popular elefantíase, doença crônica transmitida por um mosquito.

Dois anos depois, as pernas e os pés de Marreta começaram a inchar. Hoje, o torcedor corinthiano tem o dobro do peso em relação aos anos em que estava saudável. Estima-se que cada perna pese até 40 quilos. Diante da situação, Marreta precisa tomar remédios diariamente e conta com o apoio incondicional da mãe, Doralice. Ambos vivem em São Miguel Paulista, bairro da zona leste de São Paulo.

Desafio vai além

Marreta, mesmo doente, manteve a rotina de trabalho nos primeiros cinco anos. Em vez de fazer a segurança em pé, o torcedor passou a desempenhar a função sentado a fim de amenizar as dores sentidas. A partir de 2011, a doença passou a impedi-lo de pegar transporte público todos os dias. Em 2016, enfim, ele se aposentou por invalidez. "Foi uma luta danada, eu ainda fazia bicos para ajudar com as contas", afirmou.
 
 

Como a paixão pelo Corinthians salvou vida de torcedor com elefantíase

 
  O corinthiano recebe tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive com o uso de remédios fornecidos em hospitais. Nos últimos anos, entretanto, um deles, que serve para melhorar a circulação das pernas, está em falta. É preciso, então, comprá-lo e tomar uma dose menor que a recomendada.

Marreta consome até três caixas do medicamento, que custa cerca de R$ 90. "O remédio é muito caro, é muita dificuldade para encontrar também", frisou Doralice, que ajuda a fazer os curativos no filho, com faixas, esparadrapos e gases - os itens são obtidos em postos de saúde.

Foi preciso aprender a lidar com a situação

Diante da doença rara e quase inexplicável - Marreta não sabe onde foi picado pelo mosquito -, o torcedor teve de aprender a lidar com a nova rotina e com o fato de não ter expectativa de cura. No começo, toda essa situação o levou a uma tristeza muito grande. "Eu demorei um pouco para entender e acostumar com o comportamento das pessoas diante da perna inchada, principalmente as crianças", afirmou.
 
 

 
  O maior exemplo de que tudo isso ficou para trás é o comportamento de Marreta na Arena Corinthians. No estádio, misturado a tantos outros torcedores, de crianças aos mais velhos, ele vê os jogos, vibra, grita, interage com outros corinthianos. Como é um torcedor assíduo, virou uma marca do setor sul. Muitos espectadores o chamam pelo nome.

"A minha alegria de viver hoje é o clube, ele espanta as tristezas, as dificuldades, porque eu não esperava essa doença e tenho de conviver com esse problema. Eu não posso parar", frisou Marreta, que passou a ter mais facilidade depois da abertura da Arena Corinthians - o estádio fica a oito quilômetros da sua residência.
 
  Como a paixão pelo Corinthians salvou vida de torcedor com elefantíase  
  Mas, mesmo na época do Pacaembu, o torcedor era presença certa nas partidas do Corinthians. Ele esteve, por exemplo, na final da Libertadores, em 2012. Dois anos antes, ele passou a entrar de graça nos estádios, como deficiente físico. Certa vez, conseguiu tirar fotos com alguns jogadores alvinegros na porta do CT Joaquim Grava. Segundo ele, foi um dos melhores dias da vida.

Perto do Corinthians, ele vive mesmo em êxtase. Durante o jogo, não pisca, esquece das dificuldades. "Estou presente hoje, mas não sei se amanhã estarei. Preciso aproveitar tudo isso. Aqui é minha segunda casa. Quando fica muito tempo sem vir aqui, fica um vazio muito grande", disse.
 
      
   
 

 
 
Avaliação desta notícia vai para: Diego Salgado (UOL)