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O que as passagens por Santos e Botafogo dizem sobre o treinador

 
       
 

técnico decepciona jogadores, diretoria e torcida santistas após despontar no Rio

 
  Por:

Voz da Fiel

07/09/2018 05:32:04  
       
 
 
 
       
   O que as passagens por Santos e Botafogo dizem sobre o treinador   
  Foto: Reprodução/Internet/Voz da Fiel  
       
  Jair Ventura, novo técnico do Corinthians, tem pela frente a missão de resgatar a marca de técnico promissor, que surgiu quando ele despontou no Botafogo, em 2016, à frente de um elenco limitado, mas perdeu força na curta experiência no Santos, de janeiro a julho deste ano.

Na avaliação da diretoria santista, Jair Ventura teve passagem frustrante pela Vila Belmiro – foi o primeiro técnico da gestão de José Carlos Peres. Foram 39 jogos, com 14 vitórias, 10 empates e 15 derrotas – aproveitamento de 44,4%. Jair foi demitido com o time à beira na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, mas classificado na Libertadores e na Copa do Brasil.

Para a maioria dos torcedores santistas, a sensação foi pior do que a de um trabalho abaixo das expectativas. Os pedidos de demissão, principalmente vindos das organizadas, começaram meses antes de a demissão se concretizar. Muitos protestos contra a saída do técnico foram feitos, seja em estádios, aeroportos, no CT Rei Pelé e mesmo nos hotéis em que a equipe ficava hospedada.

Grupo escapou:

No Santos, Jair teve dificuldades para comandar o vestiário. Jovem (tem 39 anos) e pouco rodado, o técnico perdeu o grupo na reta final de seu trabalho. Era frequente ver os atletas insatisfeitos com as atividades diárias da comissão técnica.

Depois de sua demissão no Santos, jogadores e funcionários comentaram que Jair havia perdido o respeito internamente, o que fez com que seu trabalho ruísse após pouco mais de seis meses – Vitor Bueno chegou a curtir em uma rede social a publicação oficial do desligamento do técnico.
 
      
 

 
  Tudo é segredo:

Diferentemente de Tite, Fábio Carille e Osmar Loss, Jair é adepto dos treinos fechados. No Santos, praticamente todas as atividades aconteceram sem a presença da imprensa, a não ser no aquecimento ou em trabalhos de reservas.

Jair também não divulga as listas de relacionados, não comenta reforços em pauta e nunca confirma a escalação que usará nas partidas. Chegou a esconder até lesões de atletas em sua passagem pelo Santos.

Treino, treino, treino:

Apesar fazer mistério, Jair gosta de trabalhar. O técnico dificilmente dá folgas e tem o estilo de dar muitos treinos. Prova disso é que, nos primeiros três meses dele no Santos, os atletas receberam apenas seis dias livres de atividades.

No Peixe, chegou a dar trabalhos de dois períodos com frequência. Como pega o Corinthians a três meses do fim da temporada, essa não deve ser uma prática comum, ao menos em 2018.

Estilo Botafogo?

Desde o primeiro minuto em que acertou com o Santos, Jair Ventura sofreu com a pressão por escalar um time com o "DNA ofensivo" do clube. O técnico se comprometeu e se prendeu ao discurso dos torcedores de fazer um time para frente. Não deu certo.

No Corinthians, Jair não deve ter essa pressão extra pela ofensividade, já que, nos trabalhos que mais deram certo (Tite e Carille), o Timão não era um time 100% ofensivo, mas tinha um bom equilíbro entre ataque e defesa.

Com mais liberdade, Jair pode implantar no Corinthians o que fez no Botafogo em 2017: apesar de ter um elenco enxuto, fechou o time e chegou longe na Libertadores e na Copa do Brasil.

Em campo:

Uma das justificativas da diretoria do Santos para demitir Jair Ventura foi que o time precisava de renovação. Na visão dos dirigentes, o técnico insistiu em manter alguns atletas na equipe e em um esquema tático com quatro atacante que não deu resultados.

Apesar de ser um técnico de estilo mais defensivo, teve dificuldade para armar a zaga do Santos, que no primeiro semestre teve os piores números dos últimos anos.

No ataque, Jair fez diversas mudanças, mas foi muito criticado pelos torcedores por não encontrar o posicionamento ideal para Gabigol – que deslanchou com Cuca – e não achar uma forma de utilizar os quatro atacantes titulares sem deixar o meio de campo comprometido e a defesa exposta.

Vale ressaltar, porém, que Jair clamou por reforços à diretoria, já que o elenco necessitava de um meio-campista e um centroavante, mas não teve os pedidos atendidos. Após sua saída, o Santos contratou quatro jogadores: o volante Carlos Sánchez, o meia Bryan Ruiz e os atacantes Derlis González e Felippe Cardoso.

Olho na base:

Durante sua passagem pelo Botafogo, sem recursos para grandes contratações, Jair recorreu à base por diversas vezes. Em 2016, por exemplo, promoveu o volante Matheus Fernandes, titular em grande parte da temporada passada, ao elenco profissional.

A relação do técnico com as categorias inferiores não é de hoje. Em março de 2011, Jair foi auxiliar-técnico da seleção brasileira sub-17 no Sul-Americano disputado no Equador. No ano seguinte, virou treinador da equipe sub-20 do Botafogo, onde permaneceu por dois anos.

No Santos, promoveu e deu chance a diversos jogadores. O principal deles foi o volante Diego Pituca, hoje titular absoluto do técnico Cuca.
 
      
   
 

 
 
Avaliação desta notícia vai para: Gabriel dos Santos (Globo Esporte)