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Delações na Lava Jato deixam diretor do Corinthians sob pressão

 
       
 

o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) ocupa o cargo de diretor de relações institucionais e internacionais no Corinthians

 
  Por:

Voz da Fiel

11/12/2018 07:29:43  
       
 
 
 
       
   Delações na Lava Jato deixam diretor do Corinthians sob pressão   
  Foto: Reprodução/Internet/Voz da Fiel  
       
  Tema espinhoso no Parque São Jorge, a operação Lava Jato coloca neste momento o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) sob pressão no Corinthians. Oposicionistas se articulam para exigir o afastamento dele do cargo de diretor de relações institucionais e internacionais. Isso pelo menos até ser concluída investigação sobre afirmações feitas por delatores ligados à Odebrecht.

Cândido é acusado de ter recebido da construtora, por meio de caixa 2, doação de R$ 50 mil para sua campanha a deputado federal. A empresa teria interesse na ajuda dele em questões relativas ao financiamento para a construção da Arena Corinthians. O político nega ter cometido irregularidades.

Entre os que querem o afastamento de Cândido estão ex-apoiadores de Andrés Sanchez, presidente corinthiano e responsável pela nomeação de seu colega de partido para a vaga na direção.

Os descontentes pregam a moralização no Corinthians. Eles afirmam que Cândido não pode representar o alvinegro enquanto o caso não for esclarecido. Alegam também que o fato de as denúncias envolverem o estádio corinthiano, ponto sensível na agremiação, agravam a situação.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor e deputado afirmou conhecer o assunto mas o considerar irrelevante.

As declarações constam do inquérito registrado no STF (Supremo Tribunal Federal) sob o número 4448. Em setembro, o órgão decidiu enviar o caso para uma vara federal de São Paulo já que os atos teriam sido praticados antes do início do mandato de Cândido como deputado. A investigação trata de supostas práticas de corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.

De acordo com o inquérito, Cândido, ex-dirigente da CBF, foi citado em depoimentos dos executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa Silva Júnior.
 
      
 

 
  Os autos registram que Alexandrino declarou que, por já conhecer Cândido e saber de sua ligação com o futebol, o procurou em 2010 para tratar de assuntos relativos ao projeto de financiamento para a construção da Arena Corinthians. Na ocasião, o petista ainda não era diretor do clube.

O delator disse que recebeu pedido do político de doação para a sua campanha a deputado.

"Vicente Cândido nos ajudou bastante a buscar uma solução para a questão do financiamento do estádio pela prefeitura de São Paulo, tendo inclusive ido falar pessoalmente com o prefeito Fernando Haddad em nosso favor", aponta outro trecho do relato sobre o depoimento de Alexandrino.

Por sua vez, Benedicto afirmou às autoridades que autorizou a doação de R$ 50 mil para o petista, por meio de caixa 2, sob o argumento de "disposição para defender os interesses da companhia".

Conforme dados da investigação, Paschoal teria ficado encarregado do repasse em duas parcelas de R$ 25 mil nos dias 2 e 30 de setembro de 2010.

Em seu depoimento, o responsável pela alegada doação afirma que Cândido chegou a reclamar do valor e pediu uma quantia maior.

Ouvido na sede da Polícia Federal em Brasília, em 31 de maio do ano passado, o agora dirigente corinthiano declarou que antes das eleições de 2010 Alexandrino o informou que ele estava entre os candidatos para os quais a Odebrecht pretendia fazer doações. E que na ocasião respondeu que não aceita contribuições por meio de caixa 2, exigindo eventual repasse de forma legal. Afirmou que as demais tratativas foram conduzidas pelo tesoureiro de sua campanha.

Segundo o relato, a construtora ficou de doar R$ 50 mil por meio de uma das empresas do grupo econômico da Odebrecht, mas o petista não se recorda se a doação foi feita. Alega que não consegue identificar se nas doações repassadas por meio de seu partido está alguma quantia originária de empresa ligada à Odebrecht. E que na sua prestação de contas não identificou doadoras vinculadas à construtora.

Cândido disse ainda que não recebeu pedido para compensar a doação. Ele também afirmou que nunca tratou com os prefeitos Gilberto Kassab e Haddad sobre o financiamento relativo à Arena Corinthians.

O deputado ressaltou que sempre defendeu o Morumbi como palco de abertura da Copa do Mundo de 2014, tendo organizado um seminário com esse objetivo. Assim, segundo ele, não faria sentido atuar em favor do estádio alvinegro.

Cândido registrou que assistiu aos vídeos com os depoimentos dos delatores e que não viu indicação de que houve contrapartida pela doação eleitoral. Por fim, repudiou "veementemente" acusação do Ministério Público Federal (MPF) sobre prática de corrupção ativa e passiva.

Os delatores forneceram planilhas com codinomes de políticos que teriam recebido doações. Segundo eles, o recebedor de verbas apelidado de Palmas é Cândido.

Andrés Sanchez, que como presidente corinthiano tem poder para afastar da diretoria seu colega no PT, é apontado no material produzido pelo MPF como apelidado pelos executivos de "Timão".

Lista que faz parte da investigação indica Sanchez como suposto destinatário de pelo menos R$ 2 milhões (dois repasses de R$ 500 mil e dois de R$ 1 milhão) da Odebrecht por meio de caixa 2 para sua campanha a deputado em 2014.

André Luiz de Oliveira, atualmente diretor administrativo do Corinthians, é indicado pela acusação como intermediário responsável por receber o dinheiro. Em 2016, Oliveira chegou a ser alvo de condução coercitiva em uma das fases da Lava Jato.

Andrés e André negam terem praticado irregularidades. À "Folha de S. Paulo", o presidente corinthiano sustentou no ano passado que não recebeu recursos da construtora para sua campanha.
 
      
   
 

 
 
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