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Corinthians aumenta dependência de venda de atletas

 
       
 

Jô e Rodriguinho, peças fundamentais para Corinthians na temporada 2017, são apenas dois exemplos e ambos foram vendidos

 
  Por:

Voz da Fiel

16/11/2018 09:01:24  
       
 
 
 
       
   Corinthians aumenta dependência de venda de atletas   
  Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians  
       
  O Corinthians desmanchou o time campeão brasileiro e paulista, obteve R$ 107,5 milhões com venda de jogadores nos primeiros oito meses do ano (cerca de 10% a mais do que em 2017) e, mesmo assim, o clube não conseguiu fechar no azul. Segundo dados divulgados no balanço do clube, as perdas de janeiro a agosto chegaram a R$ 21,3 milhões mesmo com as vendas de Jô, Guilherme Arana, Maycon, Balbuena e Rodriguinho.

Além disso, o clube aumentou a dependência de receitas com a negociação de atletas. Neste ano, a receita líquida do futebol nos primeiros oito meses atingiu R$ 301,5 milhões, incluindo também direitos de TV, patrocínios, entre outros. Desse montante, 35,7% são referentes às vendas de atletas. Em 2017, o departamento de futebol do Corinthians teve receita líquida de R$ 338 milhões. Os ganhos com venda de jogadores, por sua vez, chegaram a R$ 97,8 milhões - ou 28,9% do total.

Sem o valor das vendas das suas estrelas, as perdas nos oito primeiros meses de 2018 seriam bem maiores. Descontando os custos das vendas e aquisição de outros atletas (R$ 39,5 milhões) e a amortização de direitos (R$ 26,8 milhões), o déficit corintiano não seria de R$ 21,3 milhões, e, sim, de R$ 62,5 milhões no período.

Estudo critica a dependência; clube destaca valor arrecadado

Em campo, o Corinthians luta para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro com um time bem diferente do que venceu o Brasileirão e o Paulistão. No momento, o time ocupa o 13º lugar no Nacional, com 40 pontos, apenas três acima da Chapecoense, hoje o primeiro time na zona da degola. E nas finanças a estratégia corintiana de respaldar mais de um terço de sua receita em venda de jogadores é alvo de críticas.

Um estudo feito pelo Itaú BBA teve acesso e que será divulgado nos próximos dias, frisa que o cenário das finanças do Corinthians para 2019 é preocupante. E um dos vilões é justamente a dependência em relação às vendas.
 
      
 

 
  Segundo o estudo, o problema do Corinthians é "claramente a falta de receitas". Ele aponta também que o clube precisa negociar atletas para compensar a ausência de patrocínio e bilheteria."Se tirar a venda de atletas, sem dúvidas o déficit seria maior. O clube depende muito da venda de atletas para fechar a conta, ele precisa dessa receita para pagar as suas contas", disse Cesar Grafietti, consultor exclusivo do Itaú BBA.

O Corinthians, por sua vez, afirmou que os atletas são investimentos do clube, tal qual ativos financeiros. "Quando negociados por valores superiores aos valores investidos são exemplo de uma ótima administração", afirmou o clube por meio da sua assessoria de imprensa.

Cenário complicado para 2019

Grafietti frisou ainda que é um equívoco contar com essa receita no orçamento, pois é impossível saber se ela de fato vai ocorrer. E, sem ela, o Corinthians terá problemas para fechar no azul no ano que vem. Vale lembrar que o time está sem patrocinador máster há 18 meses - por isso, houve queda de 54% dessa receita - e também não conta com bilheteria, pois todo o valor é repassado ao fundo responsável pela gestão e pagamento da Arena Corinthians.

"O cenário para 2019 já é bastante difícil para o clube. Ou seja, necessariamente vai ter de vender jogadores para fechar a conta. É um círculo vicioso: vende jogador para fechar a conta, a conta não fecha, o time val mal, não tem bilheteria, não patrocínio. É uma situação complicada apesar de toda a força que o clube tem", explicou Grafietti.

O consultor também apontou que o Corinthians tem conseguido cortar custos em relação ao ano passado, mas o mesmo resultado não é observado no aumento das receitas. "O clube conseguiu cortar custos, está trabalhando numa redução de custos, é fato. Mas não está conseguindo crescer as receitas. Ele é obrigado a vender jogadores para fechar a conta e não sabe se vai conseguir vender atletas no ano que vem", disse. Desmanche feito por dois presidentes dferentes

As vendas de Jô e Arana foram fechadas ainda na gestão Roberto de Andrade. Já com Andrés Sanchez à frente do clube, Balbuena deixou o Parque São Jorge depois de renovar contrato já bem próximo do limite para estar livre de assinar um pré-contrato com outro clube - com isso, o novo vínculo foi assinado com uma multa baixa.

Maycon, por sua vez, foi vendido após um acordo fechado, segundo Andrés, ainda na gestão Roberto de Andrade. Para completar, Rodriguinho foi vendido ao futebol do Egito ainda no começo do Campeonato Brasileiro. Na era Andrés, dois nomes já passaram pelo comando financeiro corintiano: Wesley Melo, que deixou o cargo em julho, e Matias Ávila, atual diretor da pasta.

Como ficariam as contas sem as vendas de jogadores

Déficit de janeiro a agosto: R$ 21,3 milhões
Receita com vendas de jogadores: R$ 107,5 milhões
Gastos com vendas e aquisição de atletas: R$ 39,5 milhões
Gastos com amortização de direitos: R$ 26,8 milhões
Sem as vendas o déficit seria de: R$ 62,5 milhões

Confira a resposta do Corinthians:

O clube entende que a reportagem desconsidera que atletas são investimentos assemelhados a ativos financeiros, importantes para o clube e, como tal, quando negociados por valores superiores aos valores investidos são exemplo de uma ótima administração. O clube estranha a insistência do UOL em querer desconstruir uma gestão eficiente que têm se esforçado e diminuído em muito os gastos ocorridos em gestão anteriores, buscando eficiência na aplicação dos recursos. O Corinthians é um dos poucos clubes que publica seu balanço no site, registra junto à CBF todas as suas transações de jogadores e lamenta que o esforço de reportagem do UOL não seja dirigido àqueles que usam da falta de transparência o "modus operandi" de gestões supostamente mais eficientes que a do clube alvinegro.
 
      
   
 

 
 
Avaliação desta notícia vai para: Diego Salgado (UOL)